Encerramento olímpico.

Infelizmente os Jogos acabaram. Meu deus, como passou rápido. Esperamos tanto tempo para ver nossos heróis em ação, mas esta ação dura apenas alguns dias. Sim, dias emocionantes, mas que se vão tão rápido como as corridas de Usain Bolt.
Nestes 16 dias, este blog funcionou a todo vapor, com atualizações diárias. Tentei trazer todas as informações possíveis sobre nossos brasileiros, mas sempre com um toque diferente.
Esse projeto chamado Blog Olímpico, começou a mais de um ano, quando ainda vivia em São Vicente, estava terminando minha 1° faculdade e estava entusiasmado novamente com o esporte. Lembro que havia acabado a pouco os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, e lá decidi criar um espaço para falar de nossos atletas e atletas do mundo, para que todos pudessem ter alcance a suas histórias.
Mas esse Blog não atingiu todos seus objetivos, em principal, de sua divulgação, o boca a boca não foi tão eficaz. Não queria colocar cartazes por ai, ou tentar divulgar de outras formas (mesmo tendo tentado algumas vezes), o mais importante para mim era que meus leitores levassem este blog o mais longe possível.
Não fomos tão longe, mas sei que fiz fieis leitores, leitores que nem conheço e que sempre estão deixando seus comentários e participando com suas opiniões.
Mesmo não tendo atingido tantos quanto gostaria, olho o blog hoje, a qualidade que consegui colocar nele e me sinto orgulhoso desse trabalho pioneiro em minha vida, afinal, não sou jornalista nem mesmo estudo tal disciplina, apenas sou um amante dos esportes olímpicos.
Olho para trás por que o futuro deste blog é incerto, a verdade que junto com cerimônia de encerramento, este blog, de certa forma, se despediu também. Fechou-se mais um ciclo olímpico e a verdade que Londres 2012 deve ser escrita de outra forma, se possível muito mais pessoal que esta.
Talvez sinta muita falta de ter um lugar para me expressar, por que nesse último ano, atualizar e escrever no Olímpico nunca foi uma obrigação e sim, um prazer enorme. Mas o como disse, o futuro é incerto.
Talvez ainda saia mais alguns textos, talvez algum criticando a ridícula postura do presidente do COB, Artur Nuzman, que distorceu todos os números brasileiros em Pequim para justificar uma suposta evolução no esporte, em vez de tentar procurar investir mais no mesmo.
Outro para falar do desempenho da China que conseguiu 51 ouros contra 36 dos norte-americanos.
Ou ainda, tenha gás para cobrir as Paraolimpíadas que começam daqui, 2 semanas, com a estréia do Remo Adaptado... Muitos heróis brasileiros estão lá, e já adianto que o Sportv terá a decência de transmitir (da mesma forma que transmitiu os Jogos agora), com 5 canais, os Jogos Paraolímpicos.
Mas se nada disso acontecer, gostaria de agradecer a todos que sempre me apoiaram com este projeto, que se conectaram sempre, que me concederam entrevistas, que dividiram todos esses momentos olímpicos comigo. Realmente muito obrigado, por que se não fossem por vocês este blog nunca teria existido.
Um grande abraço, um abraço olímpico em cada um de vocês.
Obrigado.
Matias Boledi...
Escrito por Matias às 14h21
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15° dia.
Quadro de Medalhas:
Ouro Prata Bronze Total
1° China 49 19 28 96
2° EUA 33 37 35 105
3° Rússia 21 22 27 70
22° Brasil 3 3 8 14

Natália Falavigna - Bronze inédito no Taekwondo

Amarelonas, tem certeza?

Inacreditável como um time pode dar a volta por cima, como pessoas podem superar-se de um “trauma”, superar-se de críticas e pressões, e como podem derrubar estigmas de “amarelões”.
Inacreditável é fazer de um novo ciclo olímpico, o motivo de continuar respirando, de colocar um objetivo acima de qualquer outro.
Inacreditável é suar todos os dias, de sentir dor, de machucar as mãos, pés, costas, braços, todo o corpo, durante 4 anos.
Inacreditável é suportar derrotas e vitórias sem perder aquele foco inicial.
Inacreditável é depois de tudo conseguir calar a boca de muitos, de fazer-los lembrar de cada palavra dita, de cada sentimento exposto, de fazer-los mudar de idéia, e arrancar das mesmas bocas críticas, elogios.

Elas acreditaram muito, souberam lutar por cada bola, por cada segundo, por cada palavra dita após as olimpíadas de Atenas em 2004. Sim, naquele momento elas haviam perdido de forma terrível, culparam a todas, mas uma delas sofreu mais que todas juntas, seu nome, Mari, hoje a jogadora mais importante desse time.
Zé Roberto, técnico campeão olímpico em 1992, responsável há anos pela seleção feminina de vôlei, estava no comando a 4 anos atrás. Gênio do vôlei, sabe tudo, de táticas e técnicas, mas aos meus olhos sempre pecou em um quesito, este que o outro grande técnico brasileiro Bernardinho tem até demais, vibração.
O comandante aprendeu, mudou, continua o mesmo gênio (ou até mais), mas agora tem também a vibração tão necessária ao lado da quadra, pula e grita nos pontos, lógico que ninguém se compara ao (as vezes até teatral demais) Bernardinho, mas tornou-se importante, incentivando muito seu time.
Hoje, dia 23 de agosto a seleção “amarelona” venceu os EUA, por 3x1, e assim conquistou sua primeira medalha de ouro em olimpíadas, e como elas mereceram, uma por uma...
Mari, que tanto sofreu nos últimos anos, ganhou até o rotulo de amarelona, hoje em seu aniversário teve a redenção, em sua nova posição, simplesmente foi a melhor atacante (em termos de importância) da seleção em Pequim, que ponteira, que vibração, que determinação, que raça!
Fofão, levantadora reserva durante a vida toda, agora no final de sua carreira teve a oportunidade de mostrar tudo que aprendeu, comandou como ninguém essa seleção, levantou o Brasil para o ouro em Pequim.
Paula Pequeno e Sheilla, incrível atacantes, em meio de tanta força e talento, sobra espaço para os gritos de incentivo e momentos de extrema vibração, alavancam todas a cada ponto.
Que time, que união, o que dizer da pequena libero brasileira, Fabi, que raça, não existe bola perdida para ela pequena estrela brasileira. E de Fabiana e Walewska, implacáveis bloqueadoras e pontuadoras brasileiras, coitadas das americanas que dividiram a rede com elas.
Essa seleção é tão vitoriosa quanto à seleção masculina, porém sempre viveu as sobras dos homens, justamente pela falta da medalha dourada, agora não falta mais. Elas também são as melhores do mundo.
O Brasil é o maior de todos no voleibol. Somos os melhores do mundo, tanto na quadra como na areia, e ainda dizem por ai que somos o país do futebol, que eles continuem pensando assim, melhor para nós...

Escrito por Matias às 11h55
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14° Dia.
Quadro de Medalhas:
Ouro Prata Bronze Total
1° China 47 17 25 89
2° EUA 31 34 35 102
3° Reino Unido 18 13 13 44
26° Brasil 2 3 7 12

A dor da prata...

A Alegria do Bronze...
Escrito por Matias às 11h46
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E o OURO mais merecido de Pequim.

A três dias do encerramento desta edição dos Jogos Olímpicos, o Brasil viveu seu melhor dia. Foram 4 medalhas, Bronze no futebol e no Vôlei de Praia (Ricardo e Emanuel), Prata também no vôlei de praia com (Fábio e Márcio) e OURO COM MAURREN MAGGI no salto em distância!
Foi hoje também que me emocionei pela primeira vez, claro que, com César Cielo fiquei louco de alegria, mas foi ela que me fez derrubar as primeiras lágrimas nestes Jogos (antes tarde do que nunca).
Quanta emoção reunida em uma só prova. Sinto dizer, mas quem não assistiu nesta manhã essa conquista, perdeu uma das mais importantes paginas da história esportiva brasileira, e também dos Jogos Olímpicos.
Maurren foi simplesmente a PRIMEIRA MULHER BRASILEIRA A CONQUISTAR UMA MEDALHA DE OURO NOS JOGOS OLÍMPICOS e como se isso não bastasse quebrou um jejum de 24 anos que o hino nacional não era tocado por conta do atletismo.
O ouro veio logo no primeiro salto. Com 7m e 4 cm, ela se impôs na prova, passando toda a pressão por um resultado para sua principal adversária, a russa Tatyana Lebedeva, que marcou em seu primeiro salto, 6m e 97 cm.
Após a primeira rodada, o que se viu foi uma seqüência de erros e queimas por parte das principais adversárias, inclusive a brasileira. Nessas rodadas, a outra representante brasileira Keila Costa foi eliminada, uma pena por que vinha fazendo uma excelente competição.
Quando encerrou a 3° rodada, ficaram apenas as 8 melhores (das 12 iniciais) para realizar os últimos 3 saltos. Maurren como estava liderando, foi beneficiada tendo o último salto de cada round, logo após da russa.
A russa queimou o 4° e 5° salto, deixando para o 6° e último salto qualquer esperança de virada. Quando a russa se preparava para saltar, podia-se ver na feição da atleta européia a determinação de uma campeã, deu um enorme frio na barriga, então ela correu... saltou... e a marca que ficou na caixa de areia mostrava que tinha sido superior a 7m. Momentos de tensão, segundos longos, e o resultado, a russa saltou 7m e 03 cm... OURO PARA O BRASIL...
Maurren Maggi saiu em disparada, emocionada, pulava e pulava até chegar a seu treinador, deu-lhe um abraço emocionado, pegou uma bandeira brasileira e uma bandeirinha chinesa e foi a sua tão merecida volta olímpica.
Talvez tenha sido um dos resultados mais merecidos da história, por que essa atleta brasileira sofreu e passou por muitos maus bocados, principalmente quando foi afastada do atletismo por conta daquele tão estranho doping (por uma substância contida em um creme cicatrizante, usado após das depilações).
Ela chegou abandonar o esporte, disse que não competiria mais, resolveu que era o momento de ser mãe, e talvez com o nascimento de sua filha Sophia, segundo ela, seu tesouro mais precioso, tenha ganho novas energias para voltar as pistas e as caixas de areia.
Mas ela já não era aquela garota, aquela promessa brasileira, era mais uma e era vista assim. Dedicou-se e sonhou muito com uma medalha olímpica, ou melhor, sonhava com uma oportunidade de disputar uma final olímpica.
Hoje esse sonho se realizou e se pode ver-la vivendo intensamente cada instante, desde o final da prova até as notas tão emocionantes do hino brasileiro.
Imagino que minhas lágrimas não foram às únicas derramadas hoje, queria agradecer a você Maurren (apesar de saber que você nunca lerá isso) por me fazer acreditar na justiça do esporte e que os sonhos podem tornar-se realidade... Um belíssimo ouro para o Brasil... Parabéns Maurren!!!

Escrito por Matias às 11h41
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13° dia.
Quadro de Medalhas:
Ouro Prata Bronze Total
1° China 46 15 22 83
2° EUA 29 34 32 95
3° Reino Unido 17 12 11 40
33° Brasil 1 2 5 8

Medalha de Prata para Robert Scheidt e Bruno Prada.

Rídiculo!!!!! EUA eliminados dos 4x100m...
Escrito por Matias às 14h07
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Lágrimas Prateadas.

Realmente não seriam estas as palavras ideais para o dia de hoje, estava precisando escrever coisas lindas, coisas felizes, talvez escrever sobre coisas douradas e não sobre injustiças pintadas de prata.
Gostaria no dia de hoje de vangloriar atletas, meninas e meninos dourados, que lutaram por toda sua vida, que comeram o pão que o diabo amassou durante anos, mas este não será esse dia. Infelizmente.
Gostaria de escrever aos comentaristas da televisão, aos profissionais competentes e aos muitos incompetentes, que se devem escolher melhor as palavras, que julgar ou procurar culpados pode ser mais que infantil, pode beirar o ridículo e também a falta de sentimento.
Gostaria de estar em campo para enxugar as lágrimas e lembrar-las que cada lágrima dessas derramadas teve uma história. Uma história daquelas que se vê em filmes, que se lê em livros, daquelas que parecem inventadas por um brilhante roteirista de Hollywood.
Gostaria de estar em campo para poder abraçar jogadora por jogadora, para mostrar a elas o quanto estamos orgulhosos por sua bravura, por sua dedicação e por sua dor. Uma dor que foi e será sempre compartilhada.
Gostaria de explicar a elas que o importante é estar lá, é nunca desistir de um sonho, claro que todos amamos a vitória, mas será que elas não ganharam nada? Será que mais um sonho dourado que acabou com um tom cinza lembrando a prata não vale de nada?
Dor, sofrimento, decepção...
Dor de ver tudo ali tão próximo, tão perto, mas ao mesmo tempo ficando cada vez mais longe...
Sofrimento de viver tudo de novo, de voltar para casa com a mesma insegurança da ida, de olhar-se no espelho e ver a cara triste da derrota...
Decepção de não conquistar um objetivo, tristeza inegável do segundo lugar, não que deva ser desvalorizado, mas por que esse 2° lugar já havia sido conquistado, dessa vez o jogo era para ser vencido...
Uma seleção digna da camisa amarela... Atletas de verdade, que treinam por vontade própria e por amor a bola... Uma seleção que fez com que os brasileiros re-descobrissem o tão amado futebol... Seleção que me fez torcer e assistir-las... Que me fez acreditar...
Uma seleção que ainda tem um longo caminho pela frente... Uma seleção que coleciona momentos emocionantes e que esta a muito tempo entre as melhores do mundo... Uma seleção especial... Uma das últimas que ainda colocam os corações em suas chuteiras...
Lágrimas prateadas, lágrimas de verdadeiras amantes da bola e do Brasil... Lágrimas de campeãs...

Escrito por Matias às 14h01
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12° dia.
Quadro de Medalhas:
Ouro Prata Bronze Total
1° China 45 14 20 79
2° EUA 26 28 28 82
3° Reino Unido 16 10 11 37
41° Brasil 1 0 5 6
O Raio Jamaicano.

Arrogante, performático, “show man”? Ele tem tudo isso junto, aliado com uma velocidade incrível, Usain Bolt iluminou mais uma vez o “Ninho de Pássaro” como um raio. Primeiro foi na disputa dos 100m rasos, onde o Jamaicano fez (literalmente) pouco caso de seus adversários, quando resolveu desacelerar nos últimos 20m da prova.
Para muitos, a superioridade dele foi incrível, correu abaixo do recorde mundial que pertencia a ele mesmo sem grande esforço. Todos se perguntavam após os 100m o que ele realmente podia fazer, que tempo ele poderia bater se corresse até o final.
Bom essa resposta foi respondida na prova dos 200m rasos, prova que é a especialidade do raio jamaicano. Com a 5° reação no bloco de partida (tempo medido pela resposta do atleta após o tiro de largada), Bolt disparou ainda dentro da curva.
Correu, correu, correu e desta vez ele não diminuiu, foi até o final, fazendo força como todos os outros adversários. Cruzou a linha de chegada com uma distância histórica, e mais uma vez quebrou o recorde mundial.
19.30 segundos! Esse é o novo recorde mundial da prova dos 200m rasos. O recorde pertencia a Michael Johnson, o incrível e herói americano que tinha como marca o tempo de 19.32 seg.
Bolt entrou definitivamente na história do atletismo e dos Jogos Olímpicos. Ele se igualou a Carl Lewis por vencer os 100 e 200m rasos em uma única olimpíada, porém com um tempero extra, com 2 quebras de recorde mundial.
O Jamaicano ainda vai disputar seu 3° ouro em Pequim, no revezamento 4x100m, mas esse talvez seja o mais garantido ouro desta edição dos Jogos. Uma vitória nessa prova e os jamaicanos colocaram os norte-americanos em uma sinuca incrível, escancarando ao mundo uma crise no atletismo dos EUA.
O Brasil tem chances, sempre tradicional nessa prova, quem sabe vem uma medalha de bronze por ai, mas o que realmente vai chamar a atenção do mundo, será ver o tempo que a equipe de Asafa Powel e Usain Bolt vão fazer.

Escrito por Matias às 16h09
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